O Diagnóstico
Como abordado anteriormente, a deficiência intelectual engloba dois componentes básicos: o desenvolvimento intelectual e o comportamento adaptativo, entretanto não sendo os únicos critérios para o diagnóstico sendo necessário um olhar mais atento a fatores como a participação, integração e os papéis sociais. Para a realização do diagnóstico é necessário uma avaliação de forma multidimensional (não apenas uma forma de avaliação) sempre visando o contexto, a realidade que a pessoa está inserida.
“O diagnóstico da deficiência intelectual frequentemente é realizado por uma equipe composta por médicos e psicólogos, também conta com a colaboração de instituições educacionais (CARVALHO, MACIEL, 2003). Um dos papéis do psicólogo é a avaliação da inteligência, por meio de testes psicométricos padronizados que, no Brasil, são de uso exclusivo desse profissional.”
Vale ressaltar que os níveis de gravidade são definidos, diferenciados conforme seu comportamento adaptativo (que é o que determina o nível de apoio necessário), não apenas em pontos QI (quoeficiente de inteligência).
O DSM V (manual de diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) traz como os três critérios a seguir devem ser preenchidos:
“A. Déficits em funções intelectuais como raciocínio, solução de problemas, planejamento, pensamento abstrato, juízo, aprendizagem acadêmica e aprendizagem pela experiência confirmados tanto pela avaliação clínica quanto por testes de inteligência padronizados e individualizados.
B. Déficits em funções adaptativas que resultam em fracasso para atingir padrões de desenvolvimento e socioculturais em relação a independência pessoal e responsabilidade social. Sem apoio continuado, os déficits de adaptação limitam o funcionamento em uma ou mais atividades diárias, como comunicação, participação social e vida independente, e em múltiplos ambientes, como em casa, na escola, no local de trabalho e na comunidade.
C. Início dos déficits intelectuais e adaptativos durante o período do desenvolvimento.”
Intervenção
Segundo o Estatuto da Pessoa com Deficiência (2015), quando se faz necessária a avaliação da deficiência, esta deve ser realizada por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando o modelo biopsicossocial (questões biológicas, psicológicas e sociais). No que diz respeito à avaliação da DI, vale ressaltar que a avaliação e intervenção precoce é importante para um prognóstico ( um desenvolvimento, processo da intervenção) mais otimista.
A intervenção é uma maneira de trazer uma maior qualidade de vida para o sujeito, entretanto os familiares devem estar atentos e equilibrar suas expectativas em relação a intervenção com a realidade. Se questionando se há uma cobrança muito grande que por vezes pode ser prejudicial para a pessoa com deficiência.
O que faz cada profissional de saúde (equipe multidisciplinar):
Fonoaudiologia:
Nesta especialidade, o fonoaudiólogo habilita/reabilita funções relacionadas à respiração, sucção, mastigação, deglutição, expressão facial e articulação da fala, propiciando melhores condições de vida e de comunicação.
Terapeuta ocupacional:
O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito) define a terapia ocupacional como uma “profissão de nível superior voltada ao estudo, à prevenção e ao tratamento de indivíduos com alterações cognitivas, afetivas, perceptivas e psico-motoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos, traumáticos e/ou de doenças adquiridas”.
Fisoterapeuta:
O fisioterapeuta é o profissional da área da saúde que trabalha com o movimento do corpo humano. Atua reabilitando e reestruturando a funcionalidade de órgãos, sistema muscular e esquelético e diversas outras estruturas do corpo que sofreram traumas ou fraturas.
Psicólogo: O psicólogo irá fazer uma avaliação da inteligência, por meio de testes padronizados, visando identificar os pontos fortes e fracos do indivíduo e elaborar intervenções. Além disso, tem o intuito de acolher os pais, fornecendo-lhes apoio emocional e ajudar na procura do atendimento adequado para seus filhos.
Prevenção
Prevenção primária: são ações feitas antes da manifestação da deficiência intelectual, visando uma redução ou eliminação da deficiência. (Ex.: melhorias nos cuidados pré, peri e pós-natais;vacinação contra rubéola antes da gestação; administração de ácido fólico no início da gravidez; aconselhamento genético - especialmente para os pais com histórico de filhos com DI)
Prevenção secundária: são ações que visam limitar a progressão da deficiência, fazendo uso de medidas que ajudem a identificar precocemente a deficiência, seguida pelo tratamento e intervenção. (Ex.: triagem neonatal de doenças tratáveis como a fenilcetonúria; intervenção precoce em “bebês de risco”, principalmente os nascidos prematuros e baixo peso; a identificação precoce e intervenção em casos de atraso no desenvolvimento)
Prevenção terciária: tem como intuito prevenir complicações da deficiência intelectual e a reabilitação. (Ex.: ações de estimulação e educação; integração; suporte e orientação às famílias, para que os pais compreendam a importância da assistência e do apoio na medida em que a criança se desenvolve; formação de grupos parentais de autoajuda).
Fontes:
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION - APA. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014.
A Caracterização da Deficiência Intelectual. Material disponibilizado no Site da Universidade, Universidade Vila Velha, Vila Velha, ES, Brasil.
Fuentes, D., Malloy-Diniz, L., Camargo, C.H.P , & Cosenza, R.M. (2012). Neuropsicologia: Teoria e Prática. 2ed. Porto Alegre: Artmed.
Comentários
Postar um comentário